Diabetes: Informações sobre a doença, os seus sintomas e fatores de risco

Se lhe disseram que é diabético, não se revolte, procure aceitar a doença para melhor controlar a sua diabetes. Fale abertamente com a sua família, amigos e profissionais de saúde para se sentir apoiado nos períodos mais difíceis, não se isole, “não tem culpa de ser diabético”.

Assista a este vídeo para saber o que é a diabetes, quais as complicações da doença e como a pode prevenir. 
 

O que é a Diabetes?

A diabetes é uma doença crónica, quer dizer que não tem cura, mas pode ser controlada. Acontece quando o organismo não consegue controlar o açúcar (glicose) no sangue corretamente e usá-lo como fonte principal de energia. Os níveis de glicemia estão intimamente relacionados com a forma como o organismo produz e utiliza a insulina. A insulina é uma hormona produzida pelo pâncreas que ajuda o organismo a utilizar o açúcar e a manter os níveis de glicemia dentro dos valores normais. Nas pessoas que não têm diabetes, os valores de glicemia não sobem acima do normal.
 
Manter os níveis de glicemia perto dos valores normais, através de uma alimentação equilibrada, de exercício físico regular e uso de comprimidos ou insulina, se necessário, é o que se pretende.
 
Na linguagem comum a diabetes é muitas vezes definida como " ter o açúcar alto no sangue", " muito açúcar no sangue ", a diabetes " é ter o açúcar mais alto no sangue que o normal".
 
O diabético pode fazer uma vida normal!

Tipos de Diabetes

Na maioria dos casos, a diabetes é classificada como tipo 1 ou tipo 2.
 
Na diabetes tipo 1 o corpo não produz insulina, verificando-se hiperglicemias persistentes, derivado à destruição das células produtoras de insulina no pâncreas. Pode sugir em qualquer idade, mas habitualmente ocorre em pessoas mais jovens, e requer que o doente administre insulina para conseguir controlar os seus níveis de glicemia. Caso não o faça, não sobrevive. 
 
A diabetes tipo 2 é a mais comum, e resulta da produção insuficiente de insulina e/ou da má utilização da mesma (resistência à ação da insulina). Tende a surgir em pessoas com idade avançada, com excesso de peso, que praticam pouca atividade física e/ou que têm poucos cuidados com a sua alimentação. Algumas pessoas com diabetes tipo 2 conseguem controlar os seus níveis de açúcar no sangue apenas com uma alimentação mais saudável e exercício físico, no entanto, outras podem precisar de medicação. É importante saber que a diabetes tipo 2 pode ser prevenida e controlada através de uma alimentação equilibrada e um estilo de vida ativo.
 
A diabetes pode ser ainda considerada gestacional, quando ocorre durante a gravidez. Existem também outros tipos de diabetes que podem surgir em consequência de medicação ou de outras doenças. Ainda durante o mês de novembro iremos falar especificamente obre a diabetes gestacional. Fique atento!
 
Uma pessoa com diabetes pode ter uma vida normal, mas deverá estar frequentemente atenta aos seus níveis de glicemia, se for o caso, administrar corretamente os seus tratamentos, e ter um estilo de vida saudável e ativo!
 

Sintomas da Diabetes

O início da diabetes tipo 2, pode ser assintomático, é frequente a pessoa não sentir nada. Quando há sintomas, estes podem ser:
 
  • Muita sede
  • Urinar com mais frequência
  • Perda de peso
  • Sensação de cansaço
  • Visão turva
  • Cãibras nas pernas
  • Pele seca e com comichão
  • Infecções frequentes
  • Maior dificuldade na cicatrização de golpes ou feridas

Complicações da diabetes

Devido especialmente à hiperglicemia “ açúcar alto no sangue ” ao longo de anos, a diabetes pode provocar danos, disfunção e falência de vários órgãos, nomeadamente ao nível dos rins, dos olhos, do coração, do cérebro e dos pés. Por isso os diabéticos podem sofrer de insuficiência renal grave, necessitando por vezes de fazer diálise, graves problemas de visão, sofrer enfartes do miocárdio, sofrer AVC (tromboses) e até graves problemas a nível dos pés que, em situações mais graves, pode levar amputação.
Por tudo isto seja cuidadoso e prudente todos os dias.

Factores de Risco da Diabetes

Excesso de peso, obesidade
Hipertensão arterial, Colesterol elevado
Sedentarismo
Idade, Hereditariedade
Stress emocional em excesso
 
Nota: Estes factores podem contribuir para o aparecimento mais rápido da diabetes.

Faça o teste de risco de desenvolvimento da diabetes

Aceda ao teste dinamizado pela Federação Internacional de Diabetes que pretende fazer a avaliação do risco de um indivíduo desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos dez anos. O teste é baseado na Escala Finlandesa de Risco do Diabetes (FINDRISC) desenvolvida e projetada pelo Professor Adj. Jaana Lindstrom e pelo Professor Jaakko Tuomilehto, do Instituto Nacional da Saúde e Bem-estar, Helsinki, Finlândia.
 
A Federação Internacional de Diabetes estima que, cerca de 212 milhões de pessoas, vivem com diabetes mas não estão devidamente diagnosticadas, o que pode representar graves complicações para o futuro.
 
Não faça parte desta estatística!
 
 

Artigo: A Diabetes Mellitus e a Doença Renal Crónica

A Diabetes Mellitus (DM) apresenta uma prevalência elevada e crescente a nível mundial, e Portugal é o segundo país da Europa com taxa de prevalência mais elevada, de acordo com dados da International Diabetes Federation relativos a 2019. A DM tipo 2 tem tido especial contributo para essa prevalência e associa-se, frequentemente, a outros Fatores de Risco Cardiovascular (FRCV) como obesidade abdominal, elevação do colesterol e/ou dos triglicéridos no sangue e hipertensão arterial.
 
Ao longo dos anos, a DM, em particular quando não controlada, pode desenvolver complicações, entre elas a Doença Renal Crónica (DRC). É a principal causa da DRC nos doentes que realizam diálise a nível mundial e nacional, correspondendo aproximadamente a 30% das causas de DRC nos doentes que realizam diálise em Portugal.
 
Numa fase inicial, a DRC é habitualmente silenciosa, mas o seu diagnóstico precoce é fundamental para o prognóstico da doença. Assim, recomenda-se a monitorização de albumina na urina (albuminúria) e de creatinina sérica na DM tipo 1 (pelo menos a partir dos cinco anos do diagnóstico) e na DM tipo 2 (após o diagnóstico), podendo, no entanto, algum desses marcadores não estar alterado.
 
A DRC contribui para o risco cardiovascular, em particular quando o doente apresenta albuminúria não controlada e/ou DRC avançada. O controlo da DM e dos restantes FRCV é fundamental não só para atrasar a progressão da DRC, mas também para reduzir o risco cardiovascular global. A alteração do estilo de vida (dieta pobre em açúcar, gordura e sal, evitar o sedentarismo e cessar o tabagismo) não pode ser negligenciada para alcançar esse objetivo. Por outro lado, muitos têm sido os progressos no tratamento da diabetes e dos diversos FRCV, com impacto no prognóstico renal. A adesão dos doentes ao tratamento e a individualização do mesmo influenciam os resultados. No entanto, a sua múltipla medicação, diversas patologias e a DRC avançada (na qual alguns fármacos podem necessitar de ajuste da dosagem ou estão mesmo contraindicados) constituem muitas vezes limitações importantes.
 
O principal objetivo do seguimento dos doentes diabéticos com DRC em consulta de Nefrologia é o atraso da progressão da mesma, identificando causas de agravamento da albuminúria e/ou função renal, quer estas estejam relacionadas com a diabetes (nomeadamente controlo glicémico), com outros FRCV (controlo de hipertensão arterial, obesidade, entre outros) ou com diversos fatores com impacto na DRC (consumo de nefrotóxicos, patologia urológica não tratada, entre outros). Apesar das estratégias implementadas, a DRC pode evoluir ao longo dos anos. Neste contexto, é da responsabilidade do nefrologista abordar as diferentes opções terapêuticas com o doente com DRC avançada, nomeadamente a diálise, o transplante renal e o tratamento conservador. Independentemente da opção terapêutica destes doentes, o controlo da diabetes e dos restantes FRCV são determinantes para a sua qualidade de vida e sobrevivência.

Artigo elaborado:
Joana Silva Costa 
Assistente Hospitalar de Nefrologia e responsável pela Consulta de Nefrologia Diabetes no CHL
 

Artigo: Diabetes Gestacional

Pode definir-se a diabetes gestacional (DG) como o aumento anormal do açúcar no sangue (glicemia) durante a gravidez. 
 
A DG pode ocorrer em qualquer fase da gravidez, mas é mais comum a partir da 24ª semana de gestação. Ocorre quando o organismo não é capaz de aumentar a produção de insulina de modo a manter a glicose em valores normais para a gravidez. A insulina é a hormona produzida pelo pâncreas e tem como função a diminuição da glicemia. Durante a gravidez as hormonas produzidas pela placenta dificultam a ação da insulina.
 
Qualquer mulher pode desenvolver DG, mas o risco aumenta com: idade materna avançada; paridade; síndrome dos ovários poliquísticos; obesidade; gravidez múltipla; gravidezes anteriores com bebés com  4Kg ou mais; DG em gravidezes anteriores; familiares em primeiro grau com diabetes tipo 2 (DM2).
 
A DG é frequente e tem aumentado de forma muito significativa nos últimos anos. A prevalência em 2015 foi de 7,2% da população parturiente do SNS, registando um acréscimo significativo comparativamente ao ano anterior (6,7% em 2016)1. A prevalência atinge 15,9% nas mulheres com idade superior aos 40 anos*.
 
Existem várias formas de triagem da diabetes gestacional. A que se realiza em Portugal implica a avaliação de uma glicemia plasmática em jejum na primeira visita pré-natal, e caso o valor nesta altura seja inferior ao valor de referência, a grávida deve ser reavaliada entre as 24 e 28 semanas de gestação com uma prova de tolerância a glicose oral com ingestão de 75 g de glicose.
 
Perante um diagnóstico de DG é indispensável controlar os níveis da glicemia, o que implica avaliar diariamente a glicemia capilar (picar o dedo) até ao final da gravidez. A maioria das grávidas consegue atingir os objetivos terapêuticos com plano alimentar e actividade física diária adaptada à gravidez. Quando estas medidas não são suficientes é necessário recorrer a medicação.
 
A DG é uma das complicações médicas mais comuns da gravidez e está associada a um aumento da morbilidade materna, que pode incluir risco elevado de aborto, parto por cesariana ou instrumentado, parto pré-termo (< 37 semanas), traumatismos do canal de parto, distúrbios hipertensivos, infeções, hemorragia pré e pós-parto, tromboembolismo, entre outras complicações. A DG também aumenta a mortalidade e morbilidade fetal e neonatal. A morbilidade aumenta à custa da distócia de ombro (dificuldades na extração fetal durante o parto vaginal), traumatismos do bebé (com fraturas e lesões nervosas), macrossomia (peso ao nascimento >4000g), doença cardíaca, dificuldade respiratória, hipoglicemia, policitemia (aumento da massa de glóbulos vermelhos com aumento da viscosidade do sangue que pode levar à diminuição da irrigação de órgãos vitais) e hiperbilirrubinemia (que leva a distúrbios como icterícia e em situações mais graves, lesões neurológicas).
 
O controlo glicémico diminui a taxa das diversas complicações maternas e fetais/neonatais. A DG habitualmente desaparece após o parto mas pode associar-se a um risco aumentado de DM2, obesidade, hipertensão e síndrome metabólico para a mãe e para o filho na idade adulta. 
 
 
*Observatório Nacional da Diabetes

 
Artigo elaborado por:
Fabiane Neves, Assistente Hospitalar do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia e Alexandra Vieira, Diretora do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do CHL.
 

Artigo: Diabetes e disfunção erétil

Novembro é o mês da diabetes e também do movimento internacional “Movember”, sensibilizando a população em geral e a comunidade médica sobre as doenças do homem. 
 
A disfunção erétil (DE) é três a quatro vezes mais comum em doentes com diabetes mellitus e ocorre em idades mais jovens (50% dos doentes com disfunção erétil aos 50-59 anos). A par disso, a DE está intimamente relacionada com a duração desta doença e com o grau de controlo da glicemia ao longo do tempo.
 
A diabetes pode ser definida como um grupo de doenças metabólicas caracterizado por hiperglicemia. Está associada a lesões e insuficiência de vários órgãos, nomeadamente, dos vasos sanguíneos e dos nervos.
 
A DE caracteriza-se pela incapacidade persistente (durante pelo menos três meses) em obter ou manter uma ereção peniana, que permita um desempenho sexual satisfatório. A ereção é o resultado de um fenómeno neurovascular que ocorre num ambiente hormonal e psicológico favorável.
 
Percebe-se que a diabetes esteja relacionada com a DE, pois atinge quase todos os mecanismos necessários para uma ereção normal: o músculo liso trabecular, as vias nervosas e os vasos sanguíneos.
 
A DE é mais frequente em doentes que apresentem outras complicações relacionadas com a diabetes, como a neuropatia autonómica ou a retinopatia. Sabe-se também que doentes com diabetes mellitus que desenvolvem DE experimentam uma diminuição significativa da qualidade de vida e revelam um aumento dos sintomas depressivos.
 
Os homens diabéticos devem ser questionados quanto à presença de DE, pois esta é uma manifestação precoce e preditiva de doença cardiovascular. Na presença de queixas, deve ser avaliado o controlo da diabetes, as complicações desta doença e outros fatores de risco cardiovascular, nomeadamente: hipertensão arterial, tabagismo, consumo de álcool, dislipidemia, obesidade e sedentarismo. Deve ainda ser feita uma revisão da medicação, já que alguns fármacos podem contribuir para a DE (alguns anti-hipertensores, antidepressivos, antipsicóticos e ansiolíticos). A avaliação deve incluir a realização de exames laboratoriais específicos, além das análises gerais.
 
O tratamento da DE no doente diabético assume algumas particularidades, uma vez que o bom controlo da glicemia aumenta a eficácia de outros tratamentos específicos. A terapêutica oral com iPDE-5 (sildenafil, tadalafil, vardenafil, avanafil) apresenta sucesso em apenas 50% dos diabéticos com DE e existe uma elevada taxa de abandono nas outras terapêuticas de 1ª linha (intra-uretral, bomba vácuo) e 2ª linha (intra-cavernosa). Assim, em mãos experientes, as próteses penianas são seguras e têm a maior taxa de satisfação do doente diabético, entre todos os tratamentos para a DE.
 
O aconselhamento psicológico e a terapia sexual são bons complementos de outras formas de tratamento da disfunção erétil, sobretudo quando existe stress, ansiedade ou depressão associados.
 
O reconhecimento do problema no seio do casal e a sua apresentação junto do médico assistente são os passos fundamentais. Este último encaminhará ao urologista as situações que carecem de uma intervenção mais especializada, de modo a obter o melhor resultado possível.
 
 
Artigo elaborado por: 
Ricardo Borges, Diretor do Serviço de Urologia do CHL
 

Artigo: Diabetes e doença coronária

A doença das artérias coronárias, ou como preferimos dizer, a doença coronária, é uma das mais importantes causas de morte por doenças cardiovasculares, entre as quais se inclui o enfarte agudo do miocárdio e a morte súbita.
 
Na origem desta doença encontram-se causas múltiplas, cada uma contribuindo de forma diferente, mas convergindo num mesmo sentido. O envelhecimento precoce das nossas artérias, não é mais do que aquilo a que ouvimos dar o nome de arteriosclerose. Estas causas são os chamados fatores de risco, em grande parte relacionados com os nossos hábitos e comportamentos.
 
No topo destes fatores encontra-se a diabetes mellitus, habitualmente associada a outros fatores de risco, especialmente à obesidade, ao colesterol elevado e à inatividade física.
 
O doente diabético é para nós um doente muito especial e é-o por várias razões. No doente diabético a doença coronária é habitualmente mais extensa e difusa, o enfarte do miocárdio é mais extenso, as sequelas são mais graves e a mortalidade é mais elevada.
 
Focando-se neste risco aumentado a investigação tem sido muito intensa e felizmente produtiva, mostrando-nos como é importante, para além do controle adequado dos níveis de açúcar no sangue, controlarmos de forma agressiva os restantes fatores. Os medicamentos para reduzir os níveis de colesterol, em particular as chamadas estatinas, desempenham um notável papel na redução do risco atrás referido, contribuindo para uma maior esperança de vida do doente diabético.
 
Frequentemente estes doentes vão necessitar de intervenções invasivas, seja por via cirúrgica, seja por cateter, seja em fase aguda, seja no contexto de enfarte do miocárdio. Também neste domínio o doente diabético é mais complexo, sujeito a mais complicações.
 
Por tudo o que atrás referi o doente diabético deve merecer do sistema de saúde uma atenção especial. A monitorização dos valores de açúcar no sangue deve ser feita de forma periódica de modo a manter níveis adequados, bem como os valores de colesterol, já que ambos são uma importante ajuda ao médico que tem de o tratar e que a cada momento terá de escolher os melhores fármacos, nas melhores doses, nas melhores combinações. 
 
Felizmente os últimos anos têm sido particularmente ricos na descoberta de novas soluções e novos caminhos para tratar esta doença. Ao contrário do passado em que pouco havia a fazer para prevenir a doença cardiovascular, hoje há múltiplas soluções pensadas e dirigidas a uma proteção eficaz do coração, dos rins e de uma forma geral das nossas artérias. 
 
Graças a todo este progresso a esperança de vida do doente diabético é hoje mais longa e acima de tudo, com melhor qualidade, com menos dependência do hospital e com menos complicações. 
 
Para terminar esta nota aqui fica uma mensagem final. 
 
Os doentes e os médicos não podem esquecer que a principal causa de morte no doente diabético é a doença cardiovascular, a qual deve ser adequadamente prevenida e, quando presente, pronta e eficazmente tratada.
 
 
Artigo elaborado por:
João Morais
Diretor do Serviço de Cardiologia
Centro Hospitalar de Leiria
(2021)
 
 

Artigo: Diabetes e o pé diabético

A Diabetes é uma doença crónica e progressiva, que pode trazer graves consequências para a saúde e bem-estar individual, e está associada a elevados custos sociais e dos sistemas de saúde. Em Portugal estima-se que a Diabetes afete 13,6% da população com idades entre os 20-79 anos, das quais 44% desconhecem ter a doença. 
 
Uma das complicações mais importantes da Diabetes Mellitus é o Pé Diabético. Os valores altos de açúcar no sangue vão levar a alterações do sistema nervoso e à oclusão progressiva das artérias. As artérias e os nervos mais periféricos do corpo, ou seja, os do pé, são rapidamente afetados. Os nervos vão funcionar cada vez pior, aumentando o risco de feridas pela diminuição da sensibilidade e, ao chegar cada vez menos sangue ao pé, as feridas tornam-se muito difíceis de cicatrizar, podendo levar à necessidade de amputação do pé.
 
A consulta de Pé Diabético do Centro Hospitalar de Leiria foi criada com o objetivo de prevenir o aparecimento de feridas e, no caso de ainda assim estas se desenvolverem, serem tratadas o mais rápido possível de forma a serem encerradas e a prevenir a amputação. Esta consulta multidisciplinar conta com uma equipa médica (Medicina Interna e Cirurgia Geral) e de enfermagem que funciona em estreita colaboração com os cuidados de saúde primários, onde os pés das pessoas com Diabetes são avaliados regularmente. Se reunirem indicação para referenciação, seja por serem pés de elevado risco ou se apresentarem feridas, são encaminhados para a consulta hospitalar. 
 
No entanto, é essencial que cada pessoa com Diabetes faça a sua própria vigilância. Os pés devem ser observados diariamente de forma a identificar o aparecimento de feridas e deve ser realizada a hidratação diária com creme hidratante. Para além disto é essencial a utilização de sapatos adequados, feitos com materiais suaves e transpiráveis, que tenham uma área profunda para os dedos dos pés, redonda ou quadrada, onde os dedos se possam mover livremente. Neste período do ano, é também essencial que sejam evitadas as fontes de calor tais como fogueiras, fogareiros, salamandras, botijas, entre outras, visto que as pessoas com Diabetes podem ter a sensibilidade à temperatura diminuída e com muita facilidade fazem queimaduras que são muito difíceis de tratar.  
 
Se tiver uma ferida no pé e for diabético contacte o seu médico o mais rapidamente possível, já que as primeiras horas são essenciais para a evolução favorável.
Vigie os seus pés, por um caminhar em segurança. 

 
Artigo elaborado por:
Pedro Neves Tavares
Assistente Hospitalar de Medicina Interna
Centro Hospitalar de Leiria
(2021)
 

Artigo: A tecnologia como aliada da pessoa com Diabetes Tipo 1: Bomba de insulina

Tenho 28 anos, e aos 14 foi-me diagnosticada Diabetes tipo 1. O início foi conturbado, claro, canetas de insulinas rápida e lenta, hipoglicemia, hiperglicemia, equivalentes, e contas, tantas contas! Mas, consciente de que seria minha companheira para o resto da vida, percebi que tinha de aprender todo este novo léxico e fazê-lo meu aliado. Pessoalmente, o tratamento com múltiplas administrações de insulina nunca me permitiu ter um controlo glicémico e um valor de hemoglobina glicada ideais e, por isso, quando o meu médico me propôs a colocação de um sistema de perfusão subcutânea contínua de insulina – a bomba de insulina – decidi aceitar. Retrospetivamente, considero que foi a decisão que mudou verdadeiramente o meu controlo e que, muito possivelmente, vai atrasar todas aquelas complicações temíveis da Diabetes.
 
A bomba de insulina funciona apenas com um tipo de insulina (rápida), que é administrada através de um pequeno catéter que é facilmente mudado em casa a cada 2-3 dias. Vai libertando pequenas quantidades de insulina a cada 3 minutos que permitem manter uma dose basal de insulina. Antes das refeições é necessário avaliar a glicémia, calcular os hidratos de carbono da refeição e dar essa informação à bomba. Através de um calculador incorporado, ela sugere uma dose de insulina com base nesses dados e nós aceitamos (ou não) a administração da insulina da refeição. Assim, é possível obter um esquema de insulina muito mais personalizado e preciso do que com outros tipos de tratamento, levando a um melhor controlo glicémico.
 
Sendo a nossa única fonte de insulina, é também mais fácil ajustar o esquema ao exercício físico e tratar as hipoglicémias, programando a bomba para diminuir a dose basal de insulina a administrar naquele período de tempo ou suspendendo mesmo a bomba.
 
Inicialmente temi sentir-me presa a um aparelho que tinha de andar comigo 24 horas por dia. Mas a verdade é que andamos sempre com o telemóvel atrás, não é? A bomba tem um tamanho mais pequeno, é leve e cabe fácil e discretamente no bolso das calças, por exemplo. Acaba por ser difícil ficar esquecida em casa, como podia acontecer com as canetas.
 
Como todos os tratamentos, tem também algumas desvantagens. Só havendo insulina rápida no organismo, a interrupção do seu fornecimento pode levar a descompensação aguda (hiperglicemia com cetonemia) mais rapidamente. É necessário fazer pesquisa de glicemia mais frequentemente, sobretudo na fase inicial. A colocação de bomba de insulina implica um período de aprendizagem intensiva, de forma a saber usar os diferentes programas e atuar em diferentes situações.
 
O Sistema Nacional de Saúde comparticipa a 100% estes dispositivos, havendo dois modelos, de marcas diferentes, disponíveis. Existem já bombas de insulina que comunicam com sistemas de monitorização contínua da glicose e fazem ajustes na dose de insulina autonomamente, consoante a glicemia. Estas são as bombas do futuro, um futuro que acredito estar próximo. 
 
O tratamento da Diabetes tipo 1 com bomba de insulina permite um melhor controlo metabólico, evita as complicações a longo prazo e não implica custos extra. Pesando as vantagens e desvantagens, acho que as pessoas com Diabetes tipo 1 se deviam informar junto dos seus médicos assistentes sobre este tratamento, saber se é adequado para si, e ponderar a sua utilização.

 
Artigo elaborado por:
Beatriz Simões Vala
Interna da formação especializada em Pediatria no Centro Hospitalar de Leiria
(2021)
 

Artigo: Diabetes e SARS COV2 - Vou ter doença mais grave?

A Diabetes Mellitus é uma das doenças crónicas mais prevalentes em todo o mundo, tendo vindo a tornar-se uma epidemia da sociedade atual. A sua prevalência tem crescido ao longo dos últimos anos e estima-se que aumente de cerca de 463 milhões de casos em 2019 para 700 milhões em 2045. Caracteriza-se por elevação dos níveis de açúcar no sangue (hiperglicemia) e condiciona gravemente vários sistemas (coração, vasos sanguíneos, olhos, rins e sistema nervoso).
 
Se este cenário já é preocupante, junta-se agora a pandemia da doença por coronavírus (COVID-19).
 
A COVID-19 é uma doença infecciosa causada pelo vírus SARS-CoV-2. Em dezembro de 2019 foram identificados os primeiros casos desta pneumonia atípica e a sua rápida disseminação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar a COVID-19 uma pandemia a 11 de março de 2020. Até à data houve já mais de 250 milhões de infetados e mais de 5 milhões de mortes.
 
Os sintomas e sinais da COVID-19 são bastante variáveis, desde os casos assintomáticos, até febre, tosse, cansaço, mialgias, perda de paladar ou olfato e, nos casos mais graves, pneumonia e síndrome respiratória aguda grave. 
 
O facto de a Diabetes ser fator de risco para contrair infeção por COVID-19 ainda é controverso em alguns estudos. Contudo, do que não restam dúvidas é que, após infeção, o doente diabético tem maior probabilidade de desenvolver doença grave e morte, havendo uma relação entre os níveis sanguíneos de glicose e o curso da doença.  Este risco aumenta ainda mais em pessoas mais velhas e com outras comorbilidades.
 
Esta relação entre a COVID-19 e Diabetes Mellitus é complexa e bidirecional. Por um lado, a hiperglicemia diminui a resposta imunitária, propicia uma resposta inflamatória descontrolada e aumenta diretamente as concentrações de glicose nas vias aéreas, o que aumenta a expressão de alguns receptores que são a porta de entrada do coronavírus (os receptores da enzima conversora da angiotensina 2). Por outro lado, a infeção grave por COVID-19, com estado de hiperinflamação, bem como o tratamento com corticoides, agravam a hiperglicemia, o que, por sua vez, afeta negativamente o curso da COVID-19.
 
Com o controlo adequado da glicose, o risco de infeção grave por COVID-19 pode ser reduzido significativamente. Neste sentido, o controlo glicémico é crucial, sendo muito importante que os doentes estejam bem controlados e cumpram a sua medicação habitual.  
 
Aconselha-se que os doentes diabéticos:
  • Sejam Vacinados de forma prioritária (quer para a COVID-19, quer para a gripe e vacina antipneumocócica);
  • Cumpram as medidas de distanciamento social, etiqueta respiratória e uso de máscara; 
  • Mantenham a sua medicação habitual;
  • Mantenham uma dieta equilibrada e pratiquem atividade física, já que melhora o controlo da hiperglicemia, reduz os fatores de risco cardiovasculares e contribui para a perda de peso, tudo fatores que influenciam o curso da COVID-19;
  • Mantenham seguimento pelo médico assistente, em regime presencial ou teleconsulta. 
 
A prevenção com todas estas medidas será, neste inverno, o seu melhor seguro de saúde!
 
Artigo elaborado por: 
Diana Amorim, médica interna de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria
 

Testemunho: Uma Família com Diabetes Tipo I - O Francisco

Aos três anos foi diagnosticado Síndrome Nefrótico ao Francisco, pelo que esteve internado no Hospital de Santo André, em Leiria, cerca de uma semana.
 
Em março de 2019, quando o Francisco teve uma recaída, tivemos de o levar à urgência pediátrica e, como é habitual, foi-lhe retirado sangue para verificar os níveis de proteína no sangue. Logo aí, o Dr. Pascoal, que nos atendeu nesse dia, alertou-nos que o nosso filho estava com o nível de açúcar no sangue um pouco elevado, pelo que marcou uma consulta para dois ou três dias depois, com a Dra. Teresa Rezende, que o segue nas consultas de Nefrologia Pediátrica. Nessa consulta foi-lhe feito o teste de glicémia que já acusava valores bastante elevados, e foi assim o diagnóstico do nosso Francisco. Tinha, então, cinco anos quando lhe foi diagnosticada a Diabetes Tipo 1 (DT1).
 
Quando foi feito o diagnóstico é que percebemos que as idas mais frequentes à casa de banho e a maior sede do Francisco eram alguns sintomas da diabetes.
 
Como deverá ser para todos os pais, foi um choque enorme receber o diagnóstico da diabetes; foi como se o mundo parasse, como se ficássemos sem chão. Mas, com o internamento e com toda a aprendizagem e apoio que recebemos na unidade pediátrica do Hospital de Leiria, desde pessoal médico, enfermeiros e pessoal auxiliar, tudo foi ficando menos difícil e mais fácil de aceitar o que vinha daí em diante.
 
A DT1 requer um controlo continuado da glicemia, e isso veio alterar a nossa rotina diária. Este controlo deve ser feito com muito rigor, com muitas contagens de hidratos de carbono e administração de insulina. Inicialmente, precisámos de fazer bastantes alterações à nossa rotina; o que comíamos à vontade e sem preocupações, sempre que nos apetecia, passou a ser controlado. Contudo, em relação às adaptações alimentares, não sentimos que tenham havido muitas. A maior foi o facto de ter que fazer contagens dos hidratos de carbono, porque tirando isso, o Francisco come de tudo como fazia antes do diagnóstico. O “petiscar” uma bolacha ou uma outra guloseima quando lhe apetecia também alterou um pouco, mas come de tudo, desde que seja contabilizado.
 
Felizmente, o Francisco entendeu desde o início que as coisas não poderiam ser como eram antes do diagnóstico. Apesar dos seus tenros cinco anos, aceitou a situação como um grande homem, responsável pela sua doença.
 
Já tínhamos ouvido falar de diabetes, mas não fazíamos ideia do tratamento que implicava o tipo 1. Foi durante o internamento e com todas as formações diárias que fomos fazendo, que nos apercebemos o quão rigoroso teria de ser.
 
Reconhecemos que o mais difícil para o Francisco são as hipoglicémias, não pelo trabalho de ter que reverter a situação, mas por ter que dizer ao nosso filho que tem que ficar sossegado até a sua glicémia estabilizar, quando na realidade ele quer é brincar. Sem dúvida que o mais desafiante é tentar fazer uma linha perfeita no controlo da glicémia.
 
No que diz respeito ao seu dia-a-dia e à sua vida escolar, inicialmente as coisas não foram fáceis, pois na escola do Francisco nunca tinham tido um caso de criança com DT1. Porém, as auxiliares e os professores fizeram uma formação no Hospital de Tomar, na qual lhes foi explicado em que consiste a doença e de que tipo de tratamento necessita.
 
Na parte prática, como, por exemplo, fazer a contagem de hidratos, picar o dedo, dar insulina, entre outros, tivemos de ser nós, pais, a ir para a escola durante alguns dias e explicar os procedimentos necessários. Felizmente, sentimos que todo o núcleo escolar estava interessado em aprender e em saber lidar com a situação.
 
Depois veio a colocação da bomba de insulina e tivemos de voltar à escola para ensinar o pessoal a trabalhar com ela. Hoje em dia estão todos prontos para tratar o Francisco e tudo tem corrido lindamente.
Devido à evolução da tecnologia, o Francisco tem um sistema de monotorização contínua, através do qual conseguimos monitorizar a sua glicémia remotamente. Ou seja, quando o Francisco está na escola, temos acesso à glicémia dele nos nossos telemóveis, e caso haja alguma alteração, ligamos para a escola e procedem à correção da glicemia.
 
Em relação à prática de atividade física, o Francisco apenas pratica desporto nas atividades extracurriculares na escola, e fá-lo sem qualquer problema, apesar de precisar de controlar a glicemia.
Se nos perguntarem se alguma vez passámos por algum momento de desesperança, podemos dizer que o maior momento de desespero foi nos dias seguintes ao diagnóstico. Sentíamos que o Francisco andava triste e em negação, tal como nós. Não sabíamos se iríamos ser capazes de superar este desafio que seria para toda a vida. Mas temos que reconhecer e agradecer aos grandes profissionais que o hospital tem. Sem dúvida que foram todos, sem exceção, fundamentais para termos conseguido superar todos os medos e ansiedades que sentíamos.
 
Outro momento em que sentimos um pouco de desespero, é quando ele tem recaídas do Síndrome Nefrótico, cuja terapêutica é a administração de corticoides, que altera completamente os valores da glicémia, ao ponto de, por vezes, fazermos correções de insulina e parecer que não resultam. Mas, mais uma vez, a equipa de profissionais da diabetes são impecáveis e socorrem-nos sempre, a qualquer hora que precisemos. É uma sensação boa que sentimos ao ter este apoio incondicional.
 
Os conselhos que podemos dar a outras famílias é que, apesar de no início parecer o fim do mundo, não é! Não é fácil, mas com o passar do tempo tudo vai melhorando, vamos ficando mais à vontade e a rotina passa a ser esta.
 
Confiem na equipa médica que vos acompanha, não tenham medo de perguntar o que quer que seja e vão perceber que não estão sozinhos nesta luta e que ganharam mais uma família. Sem esquecer que existem grupos de entreajuda da DT1 nas redes sociais, tanto para crianças como para os adultos, em que há muita união e ajuda.
 

Testemunho: Uma Família com Diabetes Tipo I - A Inês

A Inês foi diagnosticada com Diabetes tipo 1 (DT1) aos 26 meses. Hoje tem 17 anos. Este é o testemunho de uma família que lida com a diabetes há 15 anos. 
 
Aos 26 meses a Inês começou a beber muita água, a fazer muito xixi, chorava sem razão aparente e mostrava-se cansada. O diagnóstico foi feito no Hospital de Leiria, onde lhe mediram a glicemia a nosso pedido — depois de alguma investigação, já desconfiávamos do desfecho da situação.
 
Logo no início, o diagnóstico da DT1 foi um choque enorme, nem queríamos acreditar, ainda para mais, não tínhamos qualquer tipo de conhecimento sobre a doença, nem sequer tínhamos ouvido falar. Mas depressa percebemos que, quanto mais rápida e melhor fosse a aceitação, mais rapidamente conseguiríamos ajudar a nossa filha a melhorar.
 
Na rotina familiar, esta patologia alterou, principalmente, o horário das refeições, que teve que passar a ter sempre horas certas. A dinâmica das viagens também alterou: tínhamos que ter sempre a preocupação de levar comida ou prever paragens onde pudéssemos comer, pois há 15 anos o tipo de insulinas e de rotina de tratamentos eram muito diferentes do que são hoje! Contudo, curiosamente, além do rigor nos horários das refeições, não foi necessária mais nenhuma alteração significativa na rotina alimentar.
 
Um dos maiores desafios para a Inês foi passar a ter de medir glicemias e administrar insulina sempre que pensa em comer (seis a oito vezes por dia) e fazer o equilíbrio entre o que come (tipo de alimento e quantidades) e as suas atividades (brincadeiras, desporto ou somente descanso) para conseguir valores estáveis.
 
Em termos da ligação da Inês com o meio escolar, quando era criança, as pessoas que eram responsáveis pela Inês tinham uma tabela, elaborada por nós, com todas as informações necessárias, e sempre tivemos o apoio e compreensão da comunidade escolar, em especial dos professores responsáveis pelas turmas por onde a Inês foi passando. Além disso, fomos convidando os técnicos que a acompanhavam no hospital para realizar ações de sensibilização e formação nas escolas, os quais estiveram sempre disponíveis. Este tipo de proximidade entre a escola e os profissionais de saúde foi de extrema importância para que a Inês tivesse tido um bom acompanhamento escolar relativamente à sua diabetes e à aprovação por parte de todos, principalmente os colegas.
Neste momento, com 17 anos, a Inês é completamente autónoma a gerir a sua diabetes! No entanto, os seus professores e colegas continuam a ter as informações necessárias para poderem ajudar, caso seja necessário.
 
Felizmente, a Inês sempre gostou muito de desporto e atualmente pratica andebol. Porém, quando a Inês tinha apenas 26 meses, nós, pais, adaptámos a nossa atividade desportiva para poder acompanhá-la e optámos por fazer piscina em família.
 
A Inês nunca passou por um momento de desesperança ou ansiedade, sempre lidou com a condição de insulinodependente de forma responsável e nunca se sentiu menos valorizada ou menos capaz. Apesar da fase da adolescência ser sempre difícil, devido a alguma irreverência.
 
Para uma família aprender a lidar e a adaptar-se à diabetes, pensamos que o mais importante é a aceitação e transmitir esse sentimento ao seu filho/a para que possam cuidar bem dele/a. Não menos importante, é considerar a escola como nossa parceira para este caminho e dirigirmo-nos aos que nela trabalham numa perspetiva de ajuda, e não de exigência, transmitindo-lhes informação e segurança. 
 
A diabetes não limita a criança em nada; a nossa experiência de 15 anos a conviver com a diabetes tipo 1 diz-nos que isso é mesmo verdade. A Inês tem sido uma aluna com bom aproveitamento escolar, uma menina muito dinâmica e muito responsável com a diabetes dela. Tem um excelente grupo de amigos e partilha exatamente os mesmos problemas que todos os outros da idade dela!