Dia Mundial das Doenças Reumáticas

12 de Outubro: Dia Mundial das Doenças Reumáticas

As doenças reumáticas constituem um grupo de patologias e alterações funcionais do sistema músculo-esquelético de causa não traumática. Incluem as artropatias inflamatórias, as doenças sistémicas autoimunes, as doenças metabólicas (ósseas e articulares), a osteoartrose e a patologia periarticular (bursites, tendinites). Estas patologias podem ser agudas, recorrentes ou crónicas e atingem pessoas de todas as idades. A dor e a incapacidade funcional são aspetos transversais às diferentes doenças reumáticas e determinam, frequentemente, perda de qualidade de vida e limitação na atividade com grave impacto socioeconómico. 
 
Em 2015, o Estudo Epidemiológico das Doenças Reumáticas em Portugal – EpiReumaPt – caraterizou a sua distribuição na população e o impacto social. Demonstrou-se que, durante a sua vida, metade dos portugueses terão sintomas decorrentes de uma doença reumática. No entanto, importa reconhecer que as doenças reumáticas compreendem um conjunto muito heterogéneo de patologias e, por isso, com diferentes prevalências. A título de exemplo, a patologia periarticular e a osteoartrose do joelho acometem 16% e 12% da população portuguesa, respetivamente. Outras doenças reumáticas como a artrite reumatoide (0.7%) ou o lúpus eritematoso sistémico (0.1%), potencialmente graves e incapacitantes, são menos frequentes. 
 
Nos últimos anos, o progresso no conhecimento tem permitido implementar novas estratégias para diminuir o seu impacto. Embora a origem e o tratamento sejam variáveis existem fatores de risco comuns sobre os quais podemos atuar. A obesidade, os défices nutricionais, a atividade física inadequada e o consumo de tabaco associam-se a um aumento do risco e gravidade das doenças reumáticas e músculo-esqueléticas. A alteração efetiva e consistente de estilos de vida, apoiada pela informação prestada por profissionais de saúde especializados, é determinante num processo abrangente de capacitação do doente para o controlo da sua patologia. A adesão a estas medidas torna-se essencial à melhoria do prognóstico. 
 
Relativamente ao diagnóstico das doenças reumáticas é fundamental que seja realizado de forma precoce. O tratamento dirigido e atempado, numa “janela de oportunidade”, em particular das artropatias inflamatórias e doenças sistémicas autoimunes, modifica significativamente a evolução da doença, previne o dano estrutural e diminui a incapacidade para a vida laboral e social. A complexidade e eficácia das terapêuticas disponíveis têm evoluído de forma consistente e associam-se a uma modificação efetiva do curso da doença reumática inflamatória. É, por isso, fundamental que os sistemas de saúde garantam o acesso equitativo e abrangente dos cidadãos à especialidade de Reumatologia. 
 
Desde 2000, com o reconhecimento por parte da Organização Mundial de Saúde da patologia músculo-esquelética como primeira causa de incapacidade, com o desenvolvimento do movimento internacional “Década do Osso e da Articulação” e com iniciativas nacionais como o Programa Nacional contra as Doenças Reumáticas e os estudos epidemiológicos EpiReuma.pt e Reuma.pt desencadearam-se inúmeros avanços no conhecimento e implementação de cuidados diferenciados ao doente reumático. Esta é, no entanto, uma jornada inacabada que implicará dedicação por parte de todos os intervenientes: decisores políticos, profissionais de saúde, doentes e a sociedade no geral para que se sedimente e amplifique uma abordagem atempada, abrangente e articulada do doente reumático.  


Artigo elaborado por:
Marília Rodrigues
Diretora do Serviço de Reumatologia do Centro Hospitalar de Leiria