Dia Mundial da Tiroide

Estima-se que um milhão de portugueses sofra de algum tipo de doença da tiroide. O Dia Mundial da Tiroide, assinalado a 25 de maio, pretende alertar precisamente para estas patologias e para os sintomas das doenças da tiroide que, muitas vezes, ainda passam despercebidos.
 
A tiroide é um órgão que se localiza na parte anterior do pescoço, e em condições normais pesa cerca de 25g. Este órgão tem a forma de uma borboleta (tem dois lobos, direito e esquerdo, unidos pelo istmo). Apesar de ser um órgão muito pequeno, a tiroide produz substâncias (hormonas) que são transportadas pelo sangue a todas as células do corpo. As hormonas tiroideias são essenciais à vida e exercem múltiplos efeitos a nível de metabolismo, crescimento e desenvolvimento do organismo.
 
As doenças da tiroide são muito mais frequentes nas mulheres. As mais conhecidas são o hipertiroidismo e o hipotiroidismo, bem como a patologia nodular da tiroide. O hipertiroidismo ocorre quando a tiroide produz hormonas em excesso. Neste caso, normalmente a tiroide está aumentada de volume (bócio) e o doente pode apresentar os seguintes sintomas: palpitações, ansiedade, nervosismo, insónia, irritabilidade, diarreia ou aumento da frequência das dejeções, queda de cabelo, perda de peso com apetite conservado, tremor das mãos, irregularidades menstruais, fraqueza muscular ou olhos mais proeminentes.
 
O hipotiroidismo acontece quando a produção de hormonas da tiroide é insuficiente. Os sintomas mais frequentes são: maior sensibilidade ao frio, humor deprimido, obstipação, sonolência, falta de concentração, irregularidades menstruais, queda de cabelo, cansaço, ligeiro aumento de peso (retenção de líquidos), pele seca e dores musculares.
 
Os sintomas de disfunção tiroideia (hipotiroidismo/ hipertiroidismo) podem estar presentes em muitas outras situações, não sendo de todo específicos de doença da tiroide. Contudo, o seu diagnóstico é muito fácil, sendo feito através de uma simples colheita de sangue.
 
Outro grupo de doenças da tiroide, também muito frequente, é a patologia nodular da tiroide. 
 
Os nódulos podem ser únicos/múltiplos, sólidos, mistos ou quísticos. Em geral, os nódulos da tiroide não alteram a produção de hormonas, ou seja, não causam hipo nem hipertiroidismo. Na maioria das vezes são assintomáticos. Habitualmente são detetados a olho nu, na palpação do pescoço ou, por acaso, num exame realizado por outro motivo. Podem ainda ser encontrados no decorrer do estudo de alterações da função tiroideia. Raramente e quando volumosos, os nódulos podem causar compressão das estruturas vizinhas e provocar dificuldades em respirar ou em engolir.
 
Mais raro ainda é um nódulo maligno invadir o nervo que controla as cordas vocais e causar rouquidão. Apenas causam dor quando aumentam subitamente de dimensões devido a hemorragia no seu interior. A ecografia é o melhor exame para avaliar a patologia nodular da tiroide, e quando existem critérios ecográficos está indicada a punção aspirativa do nódulo para excluir malignidade. Em Portugal, surgem por ano mais de 400 novos casos de cancro da tiroide, uma das doenças mais graves que afeta este órgão.


Artigo elaborado por:
Alexandra Vieira
Diretora do Serviço de Endocrinologia e Nutrição do CHL