Médica pneumologista do Centro Hospitalar de Leiria distinguida com Prémio Thomé Villar 2023

Trabalho premiado incide na utilização da técnica Imuno-PET para cancro do pulmão

Sónia Silva, médica pneumologista e coordenadora da Pneumologia Oncológica do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar de Leiria, foi distinguida recentemente com o Prémio Thomé Villar 2023, com o seu trabalho intitulado “Imuno-Tomografia por emissão de positrões na predição da resposta a inibidores de checkpoint imunológico em doentes com cancro do pulmão de não pequenas células”. O Prémio Thomé Villar é atribuído anualmente pela Sociedade Portuguesa de Pneumologia, com o objetivo de distinguir trabalhos originais de investigação científica no âmbito da Pneumologia, e este ano foi anunciado e entregue durante o seu congresso anual.
 
«Este prémio representa um reconhecimento pelos pares, nomeadamente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, o que é muitíssimo gratificante! Incentiva a continuar o percurso, ultrapassando barreiras para conseguir chegar a respostas e, consequentemente, uma melhoria de outcomes para os nossos doentes com cancro do pulmão de não pequenas células», destaca Sónia Silva.
 
A técnica inovadora, mais conhecida por Imuno-PET, já foi testada pela primeira vez em Portugal para o tratamento do cancro do pulmão em doentes de Leiria e Coimbra, com o objetivo de ajudar a prever a resposta aos tratamentos de imunoterapia usada em doentes com esta patologia. Esta técnica integra um estudo clínico, que envolve os Serviços de Pneumologia do CHL e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e o Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS) da Universidade de Coimbra, onde Sónia Silva é uma das investigadoras da equipa e estudante de doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 
 
De acordo com esta equipa, a nova técnica tem um enorme potencial para ser incluída nos exames de estadiamento do cancro do pulmão, possibilitando a identificação da terapêutica mais adequada para cada doente, evitando o uso de terapêuticas que não resultarão no tratamento e controlo da doença. A técnica permite realizar uma avaliação de corpo inteiro do doente, identificando as áreas que estão afetadas pelo cancro e prevendo a resposta de doentes ao tratamento de imunoterapia, considerada pela médica Sónia Silva, uma das terapêuticas mais inovadoras usadas em doentes com cancro de pulmão em fase avançada.
«A Imuno-PET não substitui outros exames de diagnóstico, como a biópsia ou a PET-FDG, mas pode vir a funcionar como uma técnica complementar que ajuda a tornar o acompanhamento clínico do doente mais célere e eficaz, ao permitir compreender melhor como será a resposta à terapêutica», explica a médica Sónia Silva. «O cancro do pulmão é a principal causa de morte por cancro em Portugal, sendo um dos mais frequentes e tem uma incidência crescente. É também um dos tumores mais agressivos, dado que muitos doentes chegam já em estado avançado, quando a doença não está apenas nos pulmões, mas em vários órgãos.»
 
O estudo clínico enquadra-se no projeto de doutoramento de Sónia Silva, orientado por Antero Abrunhosa, diretor do ICNAS, e por Carlos Robalo Cordeiro, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. «Os ensaios clínicos desenvolvidos até agora têm envolvido doentes com diagnóstico de cancro do pulmão de não pequenas células, o mais prevalente, com indicação para tratamento com imunoterapia. Os doentes efetuam todos os exames habituais e recebem o acompanhamento normal, realizando a Imuno-PET como uma técnica de diagnóstico extra», remata a médica pneumologista do CHL.
 
28 de novembro de 2023.