Pânico

No dia 18 de junho comemora-se o Dia Internacional do Pânico. Esta data visa chamar a atenção para a adoção de medidas que possam ajudar a atenuar situações geradoras de stresse e pânico.
 
A origem da palavra pânico é mitológica. Pânico significa o medo que vem de Pã, que era um Deus da mitologia grega. Pã era o deus dos bosques, dos pastores e rebanhos, descrito como uma figura monstruosa e assustadora, representada por uma mistura de bode com homem que, sendo tão feio, ao nascer, a sua própria mãe fugiu assustada. Quando ele aparecia aos camponeses, sempre de uma forma repentina, ocasionava enorme pavor, surgindo daí o nome pânico, como um terror repentino.
 
Um ataque de pânico é um episódio em que a pessoa sente angústia, ansiedade ou medo extremos, que é acompanhado por sintomas físicos e/ou emocionais, e que tem início súbito. Estes episódios caracterizam-se pela inexistência de um perigo que justifique o estado de medo provocado no indivíduo, alcançam o seu ponto máximo em até 10 minutos e desaparecem em alguns minutos.
 
Os sintomas físicos apresentados podem ser similares aos que ocorrem durante um enfarte agudo do miocárdio (ex: dor no peito, falta de ar, tonturas, palpitações, tremores, suores e náuseas). A interpretação destas sensações corporais como estando a ocorrer um problema de saúde grave, pode levar a um medo exagerado de perder o controlo, de morrer ou enlouquecer. Embora os ataques de pânico causem incómodo, às vezes extremo, não são perigosos.
 
Os ataques de pânico são comuns, atingindo mais de um terço dos adultos anualmente. As mulheres são duas a três vezes mais propensas a este distúrbio do que os homens. As suas causas ainda não estão bem esclarecidas, mas acredita-se que a genética, a presença de stresse intenso, o temperamento individual e a alteração no funcionamento de algumas zonas do cérebro, possam estar na origem destes episódios. 
 
Os ataques de pânico tendem a ocorrer cerca de uma a duas vezes no decorrer da vida do indivíduo, geralmente associados a períodos de maior stresse. Ataques de pânico recorrentes podem ser indicativos de uma perturbação de pânico. 
 
A perturbação de pânico surge quando a pessoa apresenta uma preocupação excessiva com ataques futuros, e modifica os seus comportamentos para tentar evitar as crises. Esta condição acaba por afetar as várias esferas da vida do indivíduo, podendo levar ao isolamento social, ao aparecimento de fobias, à depressão ou à dependência de substâncias (ex: álcool e drogas). 
 
Tentar pensar em algo diferente do que está a sentir, com o objetivo de se distrair, exercícios de controlo respiratório ou de relaxamento muscular, são algumas das técnicas existentes para controlar um ataque de pânico. 
 
Pessoas que apresentem sintomas graves e incapacitantes poderão necessitar de acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico para conseguir gerir a ansiedade e lidar com os ataques de pânico. As modalidades terapêuticas mais utilizadas para o tratamento da perturbação de pânico são a medicação (ex: antidepressivos) e/ou a psicoterapia (ex: terapia cognitivo-comportamental). 


Artigo elaborado por:
Dra. Ana Mafalda Carvalheiro, Médica Interna da Formação Específica em Psiquiatria do CHL